'Tarifaço': Marina diz que guerra tarifária após decisão de Trump pode prejudicar agenda climática
Ministra ressalta importância da transição energética para combater aquecimento global. Verão deste ano entrou na lista dos mais quentes da história. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira (4) que uma eventual 'guerra tarifária' após o aumento nas taxas anunciado pelo governo dos Estados Unidos pode prejudicar as medidas de financiamento para combate ao aquecimento global.
Nessa quarta-feira (2), Donald Trump anunciou que o governo norte-americano passará a cobrar 10% de todas as importações do Brasil, como parte do decreto que estabelece tarifas recíprocas aos parceiros comerciais dos EUA.
Em contrapartida, numa medida de proteção da balança comercial, o Congresso aprovou um projeto de lei autoriza taxação de produtos e empresas estrangeiras.
O presidente Lula reagiu à declaração, e afirmou que o Brasil pretende reagir e vai exigir "reciprocidade no tratamento".
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Segundo a ministra, recursos que poderiam ser usados para o combate as mudanças climáticas devem ser redirecionados para outros investimentos, por falta de segurança no mundo.
"Esse rompimento com multilateralismo é muito negativo, e prejudica muito a colaboração conjunto. Isso desgasta relações, afasta cooperação, tira relações de confiança e o nosso papel é de reforçar o apoio, cooperação e a livre iniciativa no mercado", ponderou a ministra.
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Segundo a ministra, a questão pode dificultar ainda mais a cooperação entre os países.
"Tem o problema de minar a cooperação, cria insegurança e faz com que países desloquem recursos que poderiam ir para o financiamento, para outros investimentos que tem mais segurança. Ao invés de estarmos fazendo guerra uns contra os outros, deveríamos fazer guerra contra a mudança do clima, pobreza, perca de biodiversidade, desertificação" , seguiu.
Marina Silva deu a declaração ao participar, no Ministério das Relações Exteriores, de um encontro com ministros do Meio Ambiente dos países que compõem o Brics, grupo presidido pelo Brasil neste ano.
Clima nos EUA
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, logo nos primeiros dias de mandato, promoveu a saída de seu país do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, e tem tomado medidas negacionistas em relação ao clima. Além de promover a exploração de combustíveis fosseis.
➡️A ausência dos EUA, maior emissor do mundo, levantou o temor de esvaziamento da COP 30, marcada para ocorrer em novembro, em Belém (PA), pela possibilidade de influenciar outros países num momento delicado para o combate ao aquecimento global.
Contudo, organizadores da COP 30 apostam em grupos como os Brics para fortalecer a conferência e conseguir avançar em assuntos como financiamento.FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/04/03/tarifaco-marina-diz-que-guerra-tarifaria-apos-decisao-de-trump-pode-prejudicar-agenda-climatica.ghtml